22/07/2020 às 11h18min - Atualizada em 22/07/2020 às 11h18min

Geograficamente isoladas, 3 cidades de MS não têm casos

Coronavírus ainda não chegou a Japorã, Figueirão e Pedro Gomes, cidades de difícil acesso e uma única rota

Correio do Estado
Vista panorâmica de Figueirão - Divulgação
Desde que a pandemia chegou ao Mato Grosso do Sul, o coronavírus se espalhou com facilidade por 75 dos 79 municípios. O que intriga nos boletins de atualização da Secretaria de Estado de Saúde (SES) são três cidades imaculadas, pelo menos até esta quarta-feira (22).

Figueirão e Pedro Gomes na região norte, e no extremo sul, Japorã são os pontos brancos no mapa até aqui. Mas não por muito tempo, é o que pensa Geraldo Resende, secretário de Saúde.

Resende explica porque elas ainda estão zeradas, apenas resume: “Ainda não chegou a hora delas. Todas elas são exemplos de mobilidade urbana baixa. Têm pouca troca com as cidades no entorno e as medidas das prefeituras ajudaram até aqui, mas é algo que deve acontecer mais cedo ou mais tarde”, prevê.

Dos três municípios sem Covid-19, Japorã é a que mais preocupa Geraldo. Segundo ele, a grande população indígena pode ser um foco de desafios caso o coronavírus chegue à cidade que faz fronteira com o Paraguai. O isolamento do país vizinho também pode explicar ausência da doença por lá.

A diferente
Por outro lado, há uma que difere um pouco das demais. “Diferentemente das outras cidades livres de Covid-19 em MS, Figueirão tem alta circulação de veículos por causa da nova rota de escoamento”, explica o prefeito da cidade, Rogério Rosalin (PSDB).

Ele se refere à segunda fase da rodovia MS-223, que está em processo de finalização, e é a melhor alternativa para os moradores de Costa Rica que precisam ir até Camapuã. Rogério explica que são 2 mil carros passando pela cidade a cada semana.

A obra é tocada por uma empresa de São Paulo e vários funcionários vêm daquele estado para trabalhar na cidade. O prefeito assegura que, o que poderia ser uma rota de entrada fácil da Covid-19 em Figueirão, foi contida pela colaboração da empresa.

Ele ainda credita a ausência de casos positivos na cidade às ações tomadas de maneira rápida no começo da pandemia. “A primeira medida foi proibir o consumo de bebida alcoólica em locais públicos”, relata.

Além disso, a cidade também foi fechada por barreiras sanitárias organizadas pelo secretário de saúde Giovanni Bertolucci. “Já tivemos que mandar pessoas voltarem porque elas tinham sintomas da doença e não deixamos entrar”, comenta o prefeito.

Diálogo
Outra cidade da região norte do estado que está livre de casos do novo coronavírus é Pedro Gomes, comandada pelo prefeito Willian Fontoura (PSDB), o "Willian do Banco". Para ele, o diálogo foi o ponto crucial na implantação das políticas públicas referentes ao estado de emergência.

“Assim que o Governo do estado decretou calamidade, nós nos reunimos com a Câmara de vereadores, associações educacionais e com o comércio para traçar um plano e pedir a compreensão de todos”, relata.

Willian diz que a população colabora desde o começo, porque a maioria dos moradores são idosos. A cidade abre exceção para pessoas que têm fazendas na região para entrar, mas sempre orientam a manter o isolamento em caso de apresentarem sintomas de gripe ou doenças respiratórias.

Os cultos na cidade também foram suspensos no começo, porém já estão de volta com a capacidade de 30% nesta primeira fase. O prefeito acredita que os decretos que proíbem consumo de bebidas em locais públicos e a obrigatoriedade da máscara em locais fechados ajudaram.

“Prevemos multas para aqueles que desobedecerem, mas a nossa intenção é orientar as pessoas em relação aos cuidados e não puni-los”, pondera Willian. Os moradores que precisam ir a Campo Grande também são orientados a ficarem isolados na volta.

Sete Quedas foi a última cidade a deixar o seleto grupo. Nesta quarta-feira, 22, foi confirmado o primeiro caso de covid-19. Até o fechamento da última edição ela ainda estava em branco. O Prefeito Chico Piroli (PSDB) reforça o isolamento e o constante diálogo com a população. “Em caso de visitantes, perguntamos: o que você vai fazer aqui? É tão importante assim? Se sim, mandamos eles para quarentena preventiva”, relata.

Ao contrário das cidades da região norte, Sete Quedas não instituiu a proibição do consumo de bebida alcoólica em público. “Mas temos saído para garantir o distanciamento, o toque de recolher foi instituído, junto à Polícia Militar e Ministério Público conseguimos orientar a população, que tem sido incrível”.

O secretário Geraldo Resende credita o sucesso das três cidades às decisões dos prefeitos. “Eles fizeram o dever de casa, promoveram o isolamento e ficaram atentos às normas de saúde e isso contribuiu”, finaliza.
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